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Por que treinar Kung Fu?

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Nos dias atuais, por mais habilidoso que um praticante de arte marcial seja, ele se torna impotente diante de uma arma de fogo. Além disso, vivemos um momento onde a violência impera em nossa sociedade, que tem se tornado cada vez mais intolerante e agressiva. Todos estão fartos de brigas e conflitos! Qual o sentido de se praticar uma arte marcial como o Kung Fu, então? Para responder a essa questão, precisamos olhar mais a fundo para o contexto que envolve essa arte milenar. Nenhum registro é preciso o bastante para indicar a origem do Kung Fu, embora se saiba da existência de técnicas de defesa pessoal na China datadas de mais de 3000 anos. Sabe-se também que ao ser incorporado no Templo Shaolin, o Kung Fu foi influenciado por técnicas meditativas, de mobilização da energia vital (qi gong) e de auto-disciplina praticadas pelos monges budistas do Templo. Em outras palavras, o Kung Fu tem um rico histórico cultural, uma tradição que atravessa dinastias e tem muito de sua filosofia p...

Observando Afinidades, Desenvolvendo Sabedoria

As afinidades promovem a união de indivíduos que tenham algo em comum. As afinidades levam pessoas a pertencer ao mesmo grupo, à mesma região, a partilhar dos mesmos ideais, crenças e opiniões, ainda que geograficamente distantes e sem nenhum contato durante a vida. Mesmo assim, a ligação entre elas existe, como a de parentes que vivem em países diferentes. A conexão entre essas pessoas é, em um sentido sutil, uma interrelação de estados vibracionais que envolvem energia imaterial, e isso supera as fronteiras de tempo e espaço. É por isso que eventos aparentemente isolados um do outro podem se relacionar à distância. Quando dois ou mais eventos ocorrem de modo paralelo e análogo, envolvidos e acionados por fatores comuns, trata-se de um efeito chamado "sincronicidade". No caso de não crermos em uma ligação oculta entre eles, chamamos-lhe "coincidência". Essa teia oculta que liga eventos superficialmente independentes é sustentada pela lei de causa e efeito, a l...

Ciclos Emocionais

Dentre a ampla variedade de emoções humanas e seus subtipos, a raiva merece consideração especial devido à reatividade impregnada em nossa sociedade. Aprendemos desde cedo a tomar partido e a nos impor diante de uma situação, sendo essa atitude um fator determinante para sermos reconhecidos socialmente como vitoriosos ou fracassados. A raiva sempre pressupõe uma ameaça que nos afronta, seja real ou fictícia, e uma atitude firme de intolerância frente a ela, seja expressa ou não. Essa emoção tende a crescer e a se retroalimentar quanto mais atenção damos à situação de desagrado. Vamos investigar esse processo. Fisicamente, os nossos órgãos dos sentidos são os responsáveis por captarmos os estímulos do exterior, mas não são os responsáveis pelo significado que as imagens formadas terão em nossa concepção. Esse processamento que envolve o reconhecimento, nomeação, comparação e outras tantas associações acontece em áreas distintas do nosso cérebro. Em termos evolutivos, nosso encéfalo é di...

A Maestria da Água

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A natureza é viva e inspiradora. Conscientes de que os mesmos princípios que regem a natureza regem o homem, os povos antigos a contemplavam a fim de extrair a sabedoria aplicável a uma vida próspera e feliz. Quanto mais afinados ao ciclo natural, melhores resultados obtinham na saúde, bem-estar, harmonia social, etc. Na cultura da China antiga, isso é bastante expressivo. Das artes marciais à medicina chinesa, tudo é embasado nos princípios do fluxo de energia da natureza regulado pela interação entre céu e terra. Dentre os modelos naturais de virtude, a água destaca-se como a pura expressão da essência da vida. Exploremos o simbolismo da água através de algumas passagens do Dào Dé Jīng (Tao Te Ching), um dos mais profundos livros de sabedoria da humanidade. Dào Dé Jīng – Capítulo 8 上善若水。水善利万物而不争 A bondade sublime é como a água A bondade da água está em beneficiar a todos sem discriminar Temos na introdução do capítulo uma referência à benevolência, o sentimento natural de co...

Retornando ao Centro - bate-papo com o Mestre

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Fechando o tema “Retornando ao Centro”, tivemos a alegria de receber o Mestre Zhihan, abade do Templo Tzong Kwan, para um bate-papo sobre a aplicação dos ensinamentos em situações cotidianas. O texto que segue é uma organização do que assimilei das sábias e compassivas palavras do Mestre, seguida da conclusão relacionada ao nosso tema. Tipos de meditadores Observando as facilidades e dificuldades que cada um experimenta com a meditação, podemos dividir os meditadores em dois tipos: os sonolentos e os agitados. Os sonolentos costumam ser pessoas envolvidas em trabalhos corporais que, ao parar e sentar, têm dificuldade para manter-se acordados. Os agitados mentalmente, que representam a maioria de nós, são pessoas envolvidas em atividade mental excessiva que, ao sentarem, não conseguem aquietar a mente. São pessoas ansiosas que costumam ficar planejando o que fazer. Seu desafio é aprender a focar no presente, pois deve estar claro que não há o que fazer no futuro, somente no a...

Retornando ao Centro - parte 3

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Em nossa realidade convencional baseada na dualidade, ou seja, condicionada à forma, como tornar o nosso olhar menos superficial de modo a enxergarmos a vida em sua profundidade? Como tocar a dimensão da não-forma aqui e agora, na realidade terrena? Duas das três características da realidade física apontadas por Buddha são a impermanência ( anicca ) e a interdependência ( anatman ). Sem precisar recorrer a nenhum método extrassensorial, somos capazes de observar como tudo no universo está em constante transformação e como nada é isolado, mas sim dependente da combinação de várias causas e condições. Ao observarmos a impermanência e a interdependência em operação, tocamos a realidade por trás da forma. A impermanência A existência compreende ciclos. Nascimento e morte estão representados nos vários ciclos do universo, desde o surgimento e desaparecimento de um elétron em milionésimos de segundo, até o surgimento e desaparecimento de galáxias. Um macroinstante é constituído de microinsta...

Retornando ao Centro - parte 2

Há no ser humano um impulso que o move na busca pelo sentido de sua existência. Intuitivamente, o homem percebe que a sua vida tem um significado maior dentro do todo e, assim, busca a sua conexão com a fonte. Basicamente, duas faculdades humanas são utilizadas para esse fim: a fé e a razão. Movidos pela fé , esse sentimento que nos faz crer em algo sem necessidade de uma comprovação racional, as pessoas são capazes de sacrifícios em nome de algo maior. Normalmente, a fé as leva ao encontro de uma doutrina religiosa, onde seus questionamentos existenciais barram em um dogma: a existência de uma figura onipotente, cujos mandamentos devem ser seguidos para se estar em conformidade com a vontade superior. As pessoas se tornam obedientes e assumem o pacto de servir a essa força maior a fim de receber a sua recompensa – um sistema de trocas. Dentro dessa dualidade (entidade superior X eu), não acontece o despertar, apenas uma acomodação espiritual. Não convencidos pelos dogmas religios...