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Metta, o incondicional

Pela lei de causa e efeito, podemos reconhecer claramente o mal que criamos em nossas vidas e em nosso entorno; o sofrimento que criamos em nós mesmos e em nosso meio devido ao egoismo. Sabemos muito bem que o egoismo é o ingrediente da maldade e do sofrimento, pois faz gerar a cobiça e o ódio, forças capazes de nos fazer perder o bom senso e ferir aos outros. Admitindo esse polo do fato, fica fácil reconhecer que a prática do desapego, da tolerância, da amorosidade e da compaixão pode nos levar ao polo oposto do não-egoismo e, portanto, da liberdade e do bem estar. Com Metta (amor benevolente), podemos criar um ambiente de felicidade. Com o mínimo de clareza mental, reconhecemos tudo isso facilmente... Reconhecemos teoricamente. Faz todo o sentido, mas parece uma utopia. Não faz parte da realidade. Olhamos para nós mesmos e sabemos que somos interesseiros, astutos, maldosos, que não somos tão dignos assim. Amor incondicional passa longe de ser algo praticável. Sim, nosso sofrim...

Interconectividade índrica

V ocê acredita que vivemos na rede de Indra? Que todos os fenômenos se afetam mutuamente? Que compartilhamos da mesma natureza, que estamos inseridos no mesmo processo cósmico? A rede de Indra se trata de uma alegoria a um grande processo cósmico do qual cada um de nós é parte integrante. Existe uma ligação e uma correspondência entre cada um de nós como se estivéssemos inseridos em uma grande teia cósmica. Cada intersecção das linhas dessa teia teria uma joia arredondada espelhada que reflete todas as outras. Cada um de nós é uma dessas joias. Ou seja, afetamos o todo – afetamos mais fortemente quem está próximo, mas também afetamos e somos afetados de alguma forma por quem está distante. Como estamos todos interligados, como todos os processos cósmicos estão relacionados, de alguma forma nossas ações refletem no todo e acabam participando de processos diversos. Como partes integrantes da rede de Indra que geram influências sistêmicas, somos potencializadores dos processos dessa ...

Contribuições budistas para uma mente feliz

O ensinamento básico do budismo se refere a como a infelicidade inerente ao ser humano é continuamente alimentada por cada um de nós quando permanecemos desatentos. Tendemos a ser tendenciosos demais em relação às situações cotidianas, classificando tudo à nossa volta em termos de bom ou ruim, belo ou feio, superior ou inferior. Raramente temos uma postura neutra e consciente para enxergar as coisas como são. Desse modo, reagimos com apego (quando achamos que algo é bom) ou aversão (quando achamos que é ruim) – sem percebermos, estamos educando as nossas mentes para serem discriminatórias e impulsivas. Uma mente impulsiva vive oscilando, dispersa, perdida em seus devaneios, sendo arrastada pelos seus desejos. Há um ditado bastante usado nas recentes pesquisas científicas relacionadas ao bem estar: “a wandering mind is an unhappy mind” (“uma mente dispersa é uma mente infeliz”). Nós só nos libertamos dessa situação quando tomamos a atitude de acordar, de sair dessa agitação infligida pe...

Por que é tão difícil meditar? 7 dicas

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Meditar parece uma tarefa impossível para muitos. A instrução é bem simples: endireitar a postura e observar a respiração. Bem, respiramos o tempo todo sem dificuldade, então qual o problema? O nosso problema é a mente que não permanece atenta à respiração e que dispersa a todo momento, ou como dizem no budismo, a “mente macaco”. Mas seria isso um problema real? A resposta parece óbvia: se a mente não pode se concentrar na respiração, então isso é um problema para a meditação. Mas não é! De fato, uma mente plenamente atenta não necessita de meditação. Uma mente dispersa é que precisa meditar. Em uma mente nessas condições, nada mais natural que a ocorrência da distração. E mais: a distração é até útil, pois é um sinal perceptível de que a mente começou a vagar. Meditar é um treinamento. Enumero sete pontos importantes a serem considerados: 1) A distração ocorre porque você a alimenta . A distração começa como um pequeno impulso que, ao darmos atenção, direcionamos nossa energia mental ...

Nós

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Quem somos nós senão a inteligência suprema projetada no mundo das formas sob a roupagem humana? Nessa condição limitante, tal inteligência adquire percepções distorcidas e sensações confusas de desejo e repulsão. Os ciclos polares de prazer e dor geram angústia e sofrimento. Para evitar a aflição, o ser manifestado busca soluções práticas para se livrar dela, seja afastando-a, aniquilando-a ou camuflando-a. Segue articulando estratégias mundanas para ter mais prazer do que dor, não percebendo que esse mecanismo exacerba a dualidade e que o caminho é a compreensão. A reatividade é o caminho falso, pois aquilo a que se reage é ilusão. O sofrimento é a oportunidade da transmutação, do retorno à fonte. Forma gera sensação, que gera pensamento, impulso e ilusão. Não caiamos nessa armadilha. Provemos ser lucidez, não ignorância. Não creiamos na percepção superficial, mas observemos por além do observador. Sejamos o esplendor da presença, que é a própria inteligência sem forma. Marco Moura

Por que treinar Kung Fu?

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Nos dias atuais, por mais habilidoso que um praticante de arte marcial seja, ele se torna impotente diante de uma arma de fogo. Além disso, vivemos um momento onde a violência impera em nossa sociedade, que tem se tornado cada vez mais intolerante e agressiva. Todos estão fartos de brigas e conflitos! Qual o sentido de se praticar uma arte marcial como o Kung Fu, então? Para responder a essa questão, precisamos olhar mais a fundo para o contexto que envolve essa arte milenar. Nenhum registro é preciso o bastante para indicar a origem do Kung Fu, embora se saiba da existência de técnicas de defesa pessoal na China datadas de mais de 3000 anos. Sabe-se também que ao ser incorporado no Templo Shaolin, o Kung Fu foi influenciado por técnicas meditativas, de mobilização da energia vital (qi gong) e de auto-disciplina praticadas pelos monges budistas do Templo. Em outras palavras, o Kung Fu tem um rico histórico cultural, uma tradição que atravessa dinastias e tem muito de sua filosofia p...

Observando Afinidades, Desenvolvendo Sabedoria

As afinidades promovem a união de indivíduos que tenham algo em comum. As afinidades levam pessoas a pertencer ao mesmo grupo, à mesma região, a partilhar dos mesmos ideais, crenças e opiniões, ainda que geograficamente distantes e sem nenhum contato durante a vida. Mesmo assim, a ligação entre elas existe, como a de parentes que vivem em países diferentes. A conexão entre essas pessoas é, em um sentido sutil, uma interrelação de estados vibracionais que envolvem energia imaterial, e isso supera as fronteiras de tempo e espaço. É por isso que eventos aparentemente isolados um do outro podem se relacionar à distância. Quando dois ou mais eventos ocorrem de modo paralelo e análogo, envolvidos e acionados por fatores comuns, trata-se de um efeito chamado "sincronicidade". No caso de não crermos em uma ligação oculta entre eles, chamamos-lhe "coincidência". Essa teia oculta que liga eventos superficialmente independentes é sustentada pela lei de causa e efeito, a l...