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Vida Zen

Para o Zen, tudo se reduz a um grande vazio. É um modo intrigante de encarar a vida: não há eu, não há vida nem morte, nem tempo, nem espaço, nem nada! Não há lugar para conceito algum! O Zen é cru, pois aponta a verdade final e não se importa com intermediários. Deus, alma, inferno: todos esses conceitos são vistos como secundários e até supérfluos dentro do Zen. Nada do que é mundano ou do que é essencialmente metafísico é considerado como tendo uma essência, nada é absoluto.

Apesar da aparente falta de consideração para com o mundo, o Zen dá valor ao que há de mais simples na vida: sentir o cheiro de uma flor, brincar com as crianças, varrer o quintal, comer, respirar, qualquer coisa. O sagrado está nos pequenos atos e não apenas em rezar, ir à igreja ou ler uma escritura santa. O segredo está em não fazer por fazer, e sim em se integrar ao fazer. Tudo o que é feito com atenção e carinho está no Zen.

O verdadeiro viver é deixar-se fluir no mundo sem egoísmo, sendo um veículo da força infinita. Já que só há o vazio e somos uma de suas manifestações, o melhor é darmos o que de melhor podemos oferecer. Veremos então que o Zen é o verdadeiro viver e que não é preciso procurar a felicidade, é preciso senti-la. Para que complicar se é tudo Zen?

Marco Moura

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